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terça-feira, 17 de junho de 2025

Caso Pluvioso - Carlos Drummond de Andrade


    Achei que estas fotos de um dia frio e chuvoso combinavam com um poema. Acabei encontrando um de Carlos Drummond de Andrade: Caso Pluvioso.

A chuva me irritava. Até que um dia

descobri que maria é que chovia

A chuva era maria. E cada pingo

de maria ensopava o meu domingo.

E meus ossos molhando, me deixava

como terra que a chuva lavra e lava.

Eu era todo barro, sem verdura...

maria, chuvosíssima criatura!

Ela chovia em mim, em cada gesto,

pensamento, desejo, sono, e o resto.

Era chuva fininha e chuva grossa,

matinal e noturna, ativa... Nossa!

Não me chovas, maria, mais que o justo

chuvisco de um momento, apenas susto.

Não me inundes de teu líquido plasma,

não sejas tão aquático fantasma!

Eu lhe dizia - em vão - pois que maria

quanto mais eu rogava, mais chovia.

E chuveirando atroz em meu caminho,

o deixava banhado em triste vinho,

que não aquece, pois água de chuva

mosto é de cinza, não de boa uva.

Chuvadeira maria, chuvadonha,

chuvinhenta, chuvil, pluvimedonha!

Eu lhe gritava: Para! e ela chovendo,

poças d'água gelada ia tecendo.

Choveu tanto maria em minha casa

que a correnteza forte criou asa

e um rio se formou, ou mar, não sei,

sei apenas que nele me afundei.

E quanto mais as ondas me levavam,

as fontes de maria mais chuvavam,

de sorte que com pouco, e sem recurso,

as coisas se lançaram no seu curso,

e eis o mundo molhado e sovertido

sob aquele sinistro e atro chuvido.

Os seres mais estranhos se juntando

na mesma aquosa pasta iam clamando

contra essa chuva estúpida e mortal

catarata (jamais houve outra igual).

Anti-petendam cânticos se ouviram.

Que nada! As cordas d'água mais deliram,

e maria, torneira desatada,

mais se dilata em sua chuvarada.

Os navios soçobram. Continentes

já submergem com todos os viventes,

e maria chovendo. Eis que a essa altura,

delida e fluida a humana enfibratura,

e a terra não sofrendo tal chuvência,

comoveu-se a Divina Providência,

e Deus, piedoso e enérgico, bradou:

Não chove mais, maria! - e ela parou.


Débora

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Dinheiro - José Barros

    Diretamente da minha agenda, o seguinte poema de José Barros:


O meu dinheiro se arrasta
em torno do necessário
de uma vida quase casta
de quem tem pouco salário.

Nunca fui proprietário
de fazenda larga e vasta,
mas de um terreno precário
para a casa que me basta.

Não me meto em jogatinas
nem "compro" as pobres meninas
que rondam pelas cidades.

Melhor minha grana estreita
do que a fortuna suspeita
de certas "autoridades".


    E aí, gostaram?!


Débora

domingo, 1 de setembro de 2024

Um poema de Eugénio de Andrade perambulando pelo Facebook

Estava mexendo no Facebook quando me deparei com a seguinte ilustração e poema:

Sei de uma pedra onde me sentar

à sombra de setembro

e vou falar dos girassóis,

essa flor quase de areia

que ombro a ombro com o sol

faz o peso da sua solidão

o ardor

e a glória dos grandes dias de verão.

Eugénio de Andrade, in "O Peso da Sombra"

Ilustração de Marcos Llussá Bogus


Acho que combina perfeitamente com hoje. Feliz setembro para todos nós!  = )


Débora

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Recadinho de Carlos Drummond de Andrade

    Outro dia apareceu pra mim um trechinho do poema Casa Arrumada de Calos Drummond de Andrade. Achei tão interessante que resolvi trazer aqui para o blog. É uma espécie de recadinho dele pra gente.

"Arrume a sua casa todos os dias... 

Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela... 

E reconhecer nela o seu lugar."


    E aí, gostaram? 


Débora

sábado, 1 de junho de 2024

Um quadrinho para alegrar o seu dia

    Uma postagem simples. Basicamente só a foto de um quadrinho lindo que, quem sabe, possa te fazer dar um sorriso aí do outro lado da telinha.

"Faça o que você ama"


Débora

sexta-feira, 19 de abril de 2024

Quadrinhos divertidos com Frida Kahlo

    Fui renovar a carteira de motorista e quando cheguei na unidade de atendimento do Dentran encontrei vários quadrinhos inspiradores na parede. Aproveitei para fotografar enquanto esperava a minha vez.

    Achei o máximo a ideia de ter esses quadrinhos lá. Fiquei com vontade de fazer algo parecido para decorar o meu quarto. Os que eu mais gostei foram os quadrinhos com Frida Kahlo. Achei eles muito divertidos! E pra mim, ela dentro de um carro dirigindo para a felicidade tinha tudo a ver com a ideia de fazer uma carteira de motorista.



    O que achou dos quadrinhos? Você gosta desse tipo de decoração?


Débora

quinta-feira, 21 de março de 2024

Achados da net

    Encontrei esta imagem com este poema/reflexão há muito tempo quando estava navegando pela internet. Lembro que senti uma grande identificação. Salvei para publicar aqui no blog. Nunca publiquei. Agora, organizando os arquivos do computador, me deparo com ela novamente. Desta vez vou publicar. E publico pensando: meu estado mental não mudou muito desde então. (hehehe)


Débora

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Plaquinha na praia de João Pessoa

    Encontrei na praia de João Pessoa a placa da foto acima com os seguintes dizeres:

Seja simples de amor

Sonhe grande

Ria muito

Seja grato

    Acho que é sempre bom lembrar essas coisas. Tenha um ótimo dia e uma excelente vida!  =)


Débora

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Bilhetinho achado na parede do banheiro

    Encontrei este bilhete na parede do banheiro. Achei tão fofo! Tão carinhoso! Fiquei muito feliz ao encontrar este bilhete e espero trazer este mesmo sentimento a você. Tenha uma ótima semana!


Débora

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Exposição Zila em Linhas de Angela Almeida

    Uma das coisas que eu gosto quando vou para a biblioteca Zila Mamede é que vez ou outra tem alguma exposição por lá. E eu sempre paro para dar uma olhada.

    Em maio deste ano estava tendo a exposição Zila em Linhas de Angela Almeida. Através do bordado, Angela trouxe uma outra forma de ler e de expressar as poesias de Zila Mamede. Achei bem interessante o fato dela ter usado linhas e tecidos para escrever e construir imagens e elementos tridimensionais.

    Agora vou mostrar os quadros da exposição que eu mais gostei.





    É isso. Até a próxima!

Débora  

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Poeminha achado na agenda


    A minha agenda do ano passado era cheia de poeminhas, trechos de músicas e ilustrações.

    Eu gostava muito! E agora vou compartilhar um desses poeminhas com vocês. Espero que gostem.   =]




Débora

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Um poema sobre mágica e lagarta

    Encontrei o seguinte poema no site Pensador. Achei lindo! E resolvi compartilhar por aqui.  =)


"Quero viver a mágica da lagarta

que deixa o casulo

e sai transformada numa linda borboleta...

A minha metamorfose será a da alma.

Deixarei para trás o escuro, o silêncio, o medo...

Voarei livre e leve pelos jardins,

de flor em flor,

entre rosas e jasmins..."


Débora

terça-feira, 18 de abril de 2023

Recadinho do mural


    Caminhar pela universidade é encontrar surpresas. Certo dia encontrei este recadinho no mural: "Seus sonhos não são utopias". Achei lindo! Transmite esperança. É o tipo de mensagem que merece ser lembrada.

    Então, lembre-se disso você também. Lembre-se de que os seus sonhos não são utopias.

    Tenha um ótimo dia!


Débora

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Quadros de Golb Carvalho

    Em uma viagem a Belém/PA (que infelizmente não foi a passeio) tive o privilégio de ver uma exposição dos quadros de Golb Carvalho na livraria Saraiva do Shopping Boulevard. 

    Suas pinturas são belíssimas! Cada quadro representava uma paisagem da cidade: suas praças, suas ruas, suas belezas naturais e artificiais. A exposição de Golb Carvalho era uma homenagem ao aniversário de Belém.

    Fiquei tão encantada com suas obras! 

    Senti vontade de levar os quadros pra casa. Quem sabe no futuro eu possa comprar as obras dele?! Por ora, vamos apreciar os registros fotográficos da minha visita à exposição.

    Você pode acompanhar mais sobre o trabalho dele clicando aqui: Golb Carvalho.






Débora

quinta-feira, 30 de março de 2023

Picolés apaixonados

    Em uma conveniência de um posto de gasolina encontrei uma imagem muito bonitinha de dois picolés apaixonados. Não resisti e fotografei. 




    Gostaram desses picolés fofinhos e simpáticos?


Débora

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Achados da net

    Encontrei essa imagem em algum lugar da internet. Achei bem interessante. A imagem já fala por si só.



quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Achados da net

    Encontrei por acaso essa imagem. Achei tão interessante e divertida. E tenho que admitir que concordo com as respostas dadas às perguntas. ^^ 


sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Lua Adversa - Cecília Meireles



Lua Adversa


Tenho fases, como a lua.

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua...

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha.


Fases que vão e vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.

E roda a melancolia

seu interminável fuso!


Não me encontro com ninguém

(tenho fases, como a lua...).

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua...

E, quando chega esse dia,

o outro desapareceu...


Cecília Meireles

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Poema do Gato


    Foi procurando  por bordados em roupa feito à mão que encontrei um lindo poema sobre gato. O poema foi escrito pelo poeta português António Gedeão. Espero que gostem tanto da leitura quanto eu gostei.


Poema do Gato


Quem há de abrir a porta ao gato quando eu morrer?


Sempre que pode

foge pra rua,

cheira o passeio

e volta  atrás,

mas ao defrontar-se com a porta fechada

(pobre do gato!)

mia com raiva

desesperada.

Deixo-o sofrer

que o sofrimento tem sua paga,

e ele bem sabe.


Quando abro a porta corre pra mim

como acorre a mulher aos braços do amante.

Pego-lhe ao colo e acaricio-o

num gesto lento,

vagarosamente,

do alto da cabeça até o fim da cauda.

Ele olha-me e sorri, com os bigodes eróticos,

olhos semi-cerrados, em êxtase,

ronronando.


Repito a festa,

vagarosamente,

do alto da cabeça até ao fim da cauda.

Ele aperta as maxilas,

cerra os olhos,

abre as narinas,

e rosna.

Rosna, deliquescente,

abraça-me

e adormece.


Eu não tenho gato, mas se o tivesse

quem lhe abriria a porta quando eu morresse?


António Gedeão

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Achado na Centauro


  Já faz alguns dias que andando pela loja Centauro encontrei um quadro com um texto tão legal mas não legal que não pensei duas vezes e na hora decidi fotografá-lo. Eis o que li perto dos calçados:

Somos muito barulhentos. 
Adoramos ouvir e fazer barulho em alto e bom som.
Somos passionais, preferimos o beijo ao aperto de mão
o sorriso ao blase.
Somos quentes
inverno e verão.
Somos saudáveis de corpo e alma.
Somos pessoas que realizam sonhos não empreendedores.
Somos completamente apaixonados pela vida
somos família, somos acolhedores
somos verdadeiros, conosco e com o próximo.
Somos simples, assim como
a vida que vivemos intensamente.
Somos gentis e educados sob qualquer circunstância.
Somos inquietos, talvez por isso,
queremos nos reinventar a cada segundo.
Somos nós mesmo, mas nem sempre os mesmos.
Somos, todos nós juntos, a reserva.

  Eu tenho mania de ficar colecionando frases e textos. São uma forma de inspiração pra mim, sabe?! Imagino que exista mais alguém assim aí do outro lado. Gostei particularmente da parte "Somos nós mesmos, mas nem sempre os mesmos."
  Infelizmente não sei quem escreveu. Deveria ter pergunto àqueles calçados que estavam do lado. (hehehe) De qualquer forma espero que tenham gostado. Existem algum pedaço em especial que vocês gostaram mais? Vou adorar saber. ^^ 
  Até a próxima. Beijinhos 

Débora